quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Energia (apresentação 39)

Hoje aproveitei ida a Lisboa para ver a neta mais bonita de todas, Nove da manhã lá estava no meu posto. Ela correu, estranhou um pouco, mas logo viu que era pessoa de confiança, e em menos de nada já estava no colo do avô, a saltitar por todo o lado, com a maior energia do mundo, logo cedinho. Esta menina, não chora, não faz birra, não aborrece, a gente não consegue deixar de estar com ela, tal a energia que nos comunica. Bem disposta, nada negue, tudo aceita com sorriso na cara. Tem bom feitia (por agora). Do seu lado só se sai bem disposto.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Morning has broken like the first morning

Sim rompeu hoje aqui pela planície, felizmente livre de fogos. Promete uma semana quente e cheias de praia e areia para uns, e pedras e maus caminhos para outros, É sempre assim. Desigual. Aqui pelo interior contamos mais com as segundas, do que com as primeiras. Tudo corre para uma semana de luta. Veremos se Deus apoia os audazes, os que se comprometem, ou antes os outros. As palavras deste título são de uma musica que muito gosto, de que lembro muitas vezes quando a tristeza invade e ainda por cima de um cantor que decidiu mudar tudo na vida, em pleno sucesso, o nome, a religião, o modo de vida, o aspecto exterior, para abraçar algo novo, para ele. Cat Stevens, quase 70 anos, não dirá muito a muitos, para mim continua ser o Cat Stevens de "Bad Night", "Mathew and son" ou "Father and son". Já que falamos de manhã que rompe fica aqui este belo romper de hoje. No Alentejo profundo. Em Ourique BA.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

A furia do "like"

A discussão de opiniões agora está muito facilitada. Basta por "like" naquilo que se gosta ou não se entende. E naquilo que não percebemos ou não interessa nada passa-se à frente. Sugiro que criem um "unlike". Assim dávamos sinal de participação. Aí chegamos a este mundo a preto e branco, mas na realidade não chega a haver conversa, discussão, reflexão, análise, Qual quê ! Isso não interessa nada, Alguém diz um "bitaite", a gente acha que é assim mesmo, bolas, faz um "like", a seguir se esse "like"foi dado por conhecido, like puxa like e em menos de nada temos opinião unanime, se tanta gente "like" é porque é verdade, foi mesmo assim, são uns malandros estes gajos, só roubam, isto não pode continuar. Assim se forma uma opinião "informada", como nas aldeias as cuscuvilheiras na soleira da porta, enterram-se vivos, desenterram-se mortos.

Peixes

Hoje no ATL o tema foi um peixe que os miúdos muito apreciam, devido ao seu papel num filme, "A procura de Nemo", acontece que a procura pelo pequeno peixe palhaço tanto cresceu que o colocou em risco de extinção, para além de outros riscos já existentes. Criançada meteu mãos à obra e fizeram um aquário completo destes pequenos peixes. E num pouco de tempo estes ficaram feitos, e o aquário completo, aqui fica um exemplo.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Dez de Agosto de Dois Mil

Nove da manhã estávamos no aeroporto, malas e malas, excesso de bagagem, dentes cerrados, olhos húmidos e a certeza de ser pra sempre, não sei se suportava a dor que sentia mas resguardava para não causar mais sofrimento. procuravamos forças onde só a fraqueza morava, procurávamos ser racionais onde a emoção tomava conta, ser lógicos onde a estupidez era insuportável. O check in foi feito depois de espera prolongada onde o nosso sonho era derretido em banho maria, para causar efeito, para completar uma noite de separação, para que mais cedo que tarde o esquecimento se instalasse, facilitasse as coisas, desse um ar inteligente áquilo que era uma incisão profunda no sitio errado do corpo. Prontamente foi pago o excesso de bagagem para que nada ficasse para tras, restos  de vida, pedaços de sonho, sons de nossa ilusão, resíduos sólidos de uma vida insustentável. Insuportável, a mágoa instalou-se no lugar da esperança, e a mágoa deu origem à perda, e a perda ao vazio. Trocaram-se olhares e sabia que para lá daquela corrente estava a palavra fim. E sem mostrar hesitação a corrente foi transposta e tu desapareceste naquela escada evitando olhar para trás. Talvez para me poupar.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

25

Vinte cinco anos atrás estávamos tristes, envolvidos pelo sofrimento de uma morte prematura, pela revolta da partida, inapelável, sem recurso e sem regresso. Uma vida que se destroçou na vertigem da doença prolongada, como agora chamam de uma forma benevolente. Um corte com a esperança de prosseguir o sonho, com a liberdade de conhecer filhos adultos, netos, de acompanhar o desenvolvimento daqueles que se ama. E a consciência da morte não alivia, apenas tortura, por isso também foi libertação do fardo de um corpo que pesa. Sei que muitos torceram o nariz a muito do que se passou, ou supõem ter-se passado. A reação de cada um perante a força da morte é assunto seu. A morte nunca é um problema bem resolvido. Apenas desilusão, frustração e falhanço. Para quem morre e para quem sobrevive. Muito mais tarde estive também esperando a morte entrar pela porta da enfermaria. Mas eu tinha a possibilidade de também a salvação chegar antes. Aconteceu. não posso imaginar como seria se ela tivesse falhado.

Acreditar

Fecham-se portas outras se abrem. É o ciclo da vida. Depois das deceções podem vir possibilidades novas que nasceram delas, podem-se abrir portas que estiveram fechadas, e como por milagre deixam passar solução. Nem sempre isto é ingénuo, mas aqui o que interessa é o resultado. Acreditar pode dar um resultado, desacreditar só dá desgraça.

Mentalidades

Os últimos dias têm sido muito edificantes para mim. Tenho visto pessoas em stress, fora da zona de conforto, a terem de decidir e as estratégias que montam para as suas decisões ou indecisões. Como a idade também nisso tem relevância. Perante as situações de pânico a primeira opção é passar ao lado ou se possível fugir. Hoje diz uma coisa logo a seguir diz-se outra, o compromisso tomado agora, afinal amanhã já não é, um passarinho passou e disse que o vento soprava para outro lado.  Ouvi dizer que, porque não disseram que (nunca perguntou...), afinal vieram dizer que, assim não é bem como pensava, bolas, e você o que é que pensa !!! No meio contam as opiniões dos outros, mas apenas para justificar a minha que é... pira-te ! E onde ficam os meus valores, onde fica a minha palavra, onde  fica o sentido de responsabilidade, onde ficam os homens com H (e as mulheres ?) Mistério. Olha, ficam os velhos, e os que não podem sair.



quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Estado de espirito

Quando acreditamos em alguma coisa ou em alguém e isso nos trás deceção qual o estado de espirito ? O normal será revolta, vontade de vingança, querer romper com a situação que nos desiludiu, quebrar laços se for esse o caso. Outra atitude é querer recuperar a confiança naquilo que nos desiludiu ou na pessoa que não se portou bem connosco, perceber o que se passou, porque se passou, e recuperar aprendendo com a experiência mal vivida. Curioso que eu sou mais pela segunda solução. Faz-me mal alimentar ódios, é penoso para mim querer a vingança, ou a retaliação. Sou parvo, eu sei, por vezes penalizo-me porque não disse "não" na altura certa. mas detesto a queixa e a vitimização. Se não esteve certo nós, que pactuámos ou aceitámos a situação somos os primeiros culpados. Vitimas de manipulação só o são porque se deixaram manipular, terão de aprender a viver melhor a vida, prever melhor o erro, não confiar tão facilmente, serem mais perspicazes. Também não me atrai a culpa, procuro ver a situação na sua forma positiva, se a tem, e há sempre um lado bom, mesmos nos piores momentos. E as pessoas não são definitivamente más nem boas, são elas mais a sua circunstância.

Nebraska

Vão-me dizer que ando a ver filmes demais. Talvez ! Mas tenho tempo e com o calor melhor estar no AC. Desta vez vi Nebraska de Alexander Payne e fiquei empolgado. É aquele filme que todos os filhos e todos os pais deveriam ver, que devia ser mostrado em todas as aulas de educação cívica, assim como o "Daniel Blake". O filme é de 2013 e comprei na FNAC por 5 euros. Vi agora devagarinho. Vou contar um pouco. Um pai idoso quase demente, recebe uma daquelas cartas promocionais a dizer "ganhou um milhão de dólares", o resto está escrito em letras pequenas... Mas para receber tem de atravessar 3 estados e fazer 1200 km. Convence-se de que é mesmo verdade e foge várias vezes de casa para a pé ir buscar o seu prémio imaginário. Todos o tentam demover mas nada o faz recuar. Quer comprar uma carrinha, embora não conduza, e um compressor de ar, só isso, com o dinheiro, um sonho de vida. Todos o contrariam e desdenhar, mas o seu filho David não, Embora sabendo que é mentira, disponibiliza-se para ir com o pai em viagem de dias, levantar o prémio que sabe não existir, apenas para o pai viver mais uns dias de felicidade. O resto é uma história de amor de pai e filho, jamais escrita, e o epilogo final muito forte e comovedor, de gestos que não imaginamos neste mundo, movido pela cultura do dinheiro, e em que filho não desvia do seu caminho pelo pai. Uma história muito real, provando que a ficção também pode ultrapassar a realidade.