quarta-feira, 26 de julho de 2017

Telhados

A partir de uma foto que tirei do local onde costumam decorrer a aulas de pintura acabei por pintar  esta tela que mostra a matriz e uma chaminé na vila de Garvão, aqui bem pertinho (12 Km daqui), e dá para ilustrar a beleza do património urbano local, dentro do que a minha competência me permite. Pintar, mesmo sendo formas geométricas, realistas, e muito próximo de registo do concreto, acaba por dar um grande prazer e de permitir uma expressão de sentimentos que essa capacidade de reproduzir por desenho e tintas afinal é. Gosto assim de me basear no real figurativo, não que o abstrato não me atraia, mas a falta de uma referência para mim é uma grande limitação.

terça-feira, 25 de julho de 2017

Mão (Apresentação 37)

Este poema é do livro "Poemas Quotidianos" e naturalmente dedico à Francisca, o meu prolongamento mais remoto. Deve ler-se neta onde se lê filha....

Não é a tua mão
filha

que eu levo
na minha mão

é uma raiz

que eu planto
em mim mesmo

António Reis "Poemas quotidianos"

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Desprezo

"Quando a mulher ama, adora. Quando o homem ama, despreza, porque alguma insignificância deve ter a espécie feminina para permitir o erotismo".

Mais uma citação desconcertante de Agustina, no livro que estou a ler, chamado  "Fama e Segredo na História de Portugal" de 2006, pois desde lá que Agustina deixou de escrever, atacada pela doença. Referia-se á relação de Dom João II com as mulheres. Mas a frase é intrigante e nela Agustina apresenta o homem como misógino e contraditório. Como pode o desprezo ser uma forma de amor ? Ainda por cima em nome da menorização do erotismo, quando se passa  a ideia de que o homem lhe atribui uma excessiva importância ? Mas se pensarmos melhor ela terá alguma razão. O homem vê a mulher como uma forma de "pecado" do qual não consegue escapar. Diz-se, o diabo conquista o coração do homem através da mulher, não sei onde li isto, e esta relação contraditória faz do homem um infeliz em potência. A mulher nesse aspeto é previlegiada pois sempre é o centro da atenção, o chamado "objeto do desejo". O homem que despreze, só lhe faz mal.

Os ditadores



"Os ditadores nunca se acham sós. Ou são as reverências dos seus validos, ou o protocolo que simula dedicação, ou sobretudo o eu que está indissoluvelmente ligado ao seu mundo em que decorre a sua realidade. Às vezes, um mundo extravagante de crises em que a culpa parece ser uma forma de aliviar o excessivo consentimento do seu poder. Há momentos em que o rei se declara humilde, pede que não lhe chamem Alteza, e está perto de demonstrar um eu psicótico e delirante."

Esta  frase de Agustina, citada de um dos seus livros que estou a ler, referia-se ao rei de Portugal Dom João II, que governou de 1481 a 1495, mas podia-se aplicar a qualquer um. Veja-se  a imagem de Nicolás Maduro, um ditador "de esquerda", que na maior cegueira, conduz a Venezuela, que chegou a ser um exemplo de democracia, ao caos e à ruína, por achar que todos os apoiam, ancorado no seu mundo delirante, rodeado de defesas para o seu ego psicótico, surdo à realidade. Esta semana vai fazer uma eleição fantoche para mudar a Constituição, e procurar uma "legalidade" que o eternize no poder, enquanto o povo morre de fome e de falta de bens essenciais como medicamentos, Até quando meu Deus o humano sofre desta vertigem de se sentir bem no lugar do Criador ? Porquê um modesto condutor de autocarros, sem nenhuma preparação, se convence desta ideia de que é um "salvador" ?

Avezinhas

Hoje mais uma sessão do ATL e a criançada foi desafiada a pintar uma avezinha que está em grande risco de extinção, penso que ainda não tinham ouvido falar, o priolo. Como já aqui expliquei vive na zona mais oriental do arquipélago dos Açores e a sua ameaça tem a ver com a progressiva extinção da floresta característica da região, aos poucos substuida por prados para a produção de carne e leite. Arregaçaram as mangas e fizeram tantos priolos que a sua população aumentaria. Com muita ordem e arrumação, coisa rara nos anteriores ATL. A orientadora Daniela é de facto muito responsável e organizada e mantém a criançada bem focada e não dá "abébias" !!! Assim as coisas correm bem.

domingo, 23 de julho de 2017

Sobre os telhados

Uma vista sobre os telhados de uma vila cá do concelho para mostrar que Alentejo não é só campo, planície, borrego, porco e outras "paisagens", também o património construído tem que se diga e apresenta pontos dignos de inspiração. Aqui vemos o pormenor da chaminé e ao fundo a Igreja Matriz. Claro que algumas construções não integram bem o conjunto mas também não podemos ser fundamentalistas, temos de viver no conforto. Felizmente já não há antenas de televisão e poucos cabos elétricos. A luz essa está lá toda como é normal aqui para o sul, e faz as delícias de qualquer um interessado na pintura, pois ela realça tudo e faz contraste com uma sombra tão intensa como a luz. Um desafio.

Priolo

Hoje domingo vamos dedicar tempo a causas. O priolo, um pássaro endémico nos Açores, nomeadamente na parte oriental da ilha de S.Miguel, único local no mundo onde é conhecido e onde se encontra em extinção. Muito tem sido feito para reverter tal situação o que parece estará a acontecer. Mas a maior ameaça é o declínio da floresta laurisilva nas ilhas dos Açores, onde nidifica e se alimenta. Já alguns projectos foram lançados para o salvar, com algum sucesso. Decidi pintar rapidamente um esboço de dois priolos, e amanhã no ATL vamos trabalhar mais um bicharoco ameaçado. Espero que a criançada adira.

sábado, 22 de julho de 2017

O passado e o presente

Estamos em momentos diferentes, em contextos, realidades e suposições diferentes. Passado é passado, presente é presente. Mas será que é mesmo assim ? Será que seríamos o que somos se não tivéssemos aquele passado, será que aquele passado foi premonitório deste presente? Assim a vida é. Um rio em que águas do passado conduzem a uma foz que muda todos os dias, pelo que o rio tem de procurar todos os dias a sua foz. O presente não é mais do que o acumular de muitos passados, interagindo uns com os outros, uns que se perderam, outros que persistem, outros ainda que irrompem sem sabermos de onde. Agora certo certo, é que não podemos modificar o passado, vivê-lo de outra forma da que foi vivido, remendar esses dias, embora se possa olhar para eles de outra  forma, ter deles uma opinião que evolui como o nosso amadurecimento. Afinal o presente também já é passado, e o passado até pode vir a ser presente. Temos olhar para a vida com toda a relatividade. Certo as águas não voltam a passar de novo por debaixo da ponte, mas outras águas virão, água é sempre água.

A casa

"A casa" é uma das mais lindas canções escritas por Rodrigo Leão para Adriana Calcanhoto, e publicada no disco "Alma Mater" talvez já com dez anos, onde Adriana canta como sempre. Deixo aqui o video que alguém construiu, um scrap, e que escolhi porque pode ler a letra que é a de uma maravilhosa canção do amor perdido e recuperado. Ler com atenção. Mais uma grande canção de Rodrigo Leão que acompanha com o seu "ensemble".


Rodrigo Leão e Scott Matthew

Fui ver ontem em Faro, no Teatro das Figuras, e foi bom, para quem gosta da magia da música de Rodrigo Leão, da voz melancólica de Scott, e das maravilhosas canções que escrevem. Ouviu-se um pouco de tudo, os dois juntos, só o Scott com guitarra, só o "ensemble" de RL, onde prepondera a violinista Viviana Tupikova, russa que trabalha há muitos anos com o músico português sendo a autora dos belos solos de violino que aparecem em todos os trabalhos de Rodrigo Leão, um espetáculo muito emotivo e cheio de secretismo. Valeu a pena fazer mais 200 km para os ouvir.